22 janeiro 2009

ATAQUE-SURPRESA

A mácula, resultado do golpe desferido pelo algoz,
suscita a dor e, imediatamente, o desejo de suprimi-la;
Remete à reflexão, à tentativa de dissecar e compreender
os motivos que engendraram o seu surgimento.

Em meio a variadas hipóteses, o sentimento latente
de que, aparentemente, nenhuma delas faz sentido.
A mágoa, e, à sua órbita, todos os seus atrozes companheiros,
ocupam toda a dimensão da alma, do núcleo às fímbrias,
trespassando os lugares mais recônditos.

O processo é lento e pungente!
Cada mínimo instante de tempo adquire assombrosa magnitude;
a certeza, a dúvida, o amor, o ódio, a indulgência, a impiedade,
um de cada vez e, às vezes, todos ao mesmo tempo,
transitam em um indivíduo confuso, degradado pelo ataque-surpresa.

O coração, mais uma vez maltratado, digno de pena,
resiste ofegante; anela a sua morosa mas indubitável recuperação.
No íntimo do ser, a consciência do cessar das trevas
e a espera impaciente pela próxima aurora.

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