05 janeiro 2009

Lamarim

Tão longe o mar de meus olhos
As ilhas perdidas na bruma

A ribeira deixou de subir
E tu, Lamarim, deixaste de nela lavar o pão.
A porta fechou-se, mas sei que a deixaste aberta.
Continuo a ver-te feliz por ela.
Lamarim onde estás para preocupares-te
Com a televisão que acabou de avariar?
As sopas que tanto odeias esperam-te no prato!
Terás ido a casa de tua filha ou
Bate-te o esposo, o filho, a nora?
se pudesse entregava-te a vitalidade juvenil
eternamente

(Lamarim esqueceste-te da marcação na cabeleireira
Para pintar de castanho o cabelo do teu menino)

Sabes, sem ti a ribeira secou, a rua ficou deserta
Fecharam-te a porta!
As minhas vizinhas já não riem, deixaste-as
Na monotomia da vida.
Às vezes, como hoje, sinto a tua falta.
És a ceifeira que um dia ofereceu-me uma pomba rosa
A qual guardo-a na caixinha do meu coração.

25 dia do teu menino Jesus, fim do teu sofrimento.

Sem comentários:

Enviar um comentário