Olho-te assim devagar. Prolongo-te,
no rasto incandescente do anjo
que espero ver erguer-se,
dos fios que as estrelas abrem
quando expostas na boca da noite.
Tento desvendar donde vem este vento,
convocado num silêncio leve
que a liquidez do fundo dos oceanos
parece querer estender,
retendo-me aqui coberto, em ascensão mansa pousado.
Nos passos agitados que não dormem, nunca.
Sempre começados
nos gemidos das manhãs cegas
e humedecidas pelas águas do Genil.
Subindo ao céu quente de Granada
que os teus pés viu por último pousar.
Nesse caminho imaterial
jamais por mim percorrido
mas cujo pó nele levantado,
os meus ombros fugidios fazem doer.
Ali quando o ar se parte e escuta
el Viento Oeste, que inquieto,
solta seus cavalos perdidos:
agora inúteis, cansados, galopam em manada.
Desenham-se no o teu corpo
há muito embalado pela terra vermelha. Envergonhada por naquele dia nada ter feito:
apenas receber-te em seus braços ensanguentados.
Na memória do chão que elevado ao céu todos os astros sugou.
Olho-te na luz que o levante traz.
Sempre embebida das tuas palavras mágicas
que hoje por onde passam tudo levantam.
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